Fabrício Boliveira no Conversa com Bial (Reprodução/Globo)
Fabrício Boliveira no Conversa com Bial (Reprodução/Globo)

A morte repentina da matriarca Neuza (Zezé Motta) recai sobre cada um dos membros da família Santos de uma maneira. Para André, personagem de Fabrício Boliveira em Juntos a Magia Acontece, traz à tona rancores que ele sequer imaginava ter provocado, ainda que de forma inconsciente.

Na atração, ele deixou a família de lado para estudar e trabalhar com cinema. No retorno, com a passagem da mãe, reencontra sua irmã, Vera (Camila Pitanga), profundamente magoada com o que considera ser o reflexo de uma criação distinta, recebida pelos dois na infância. Vera acredita que os pais, Orlando (Milton Gonçalves) e Neuza, deram mais liberdade para ele e, para ela, mais responsabilidades.

Qual a reflexão que o especial aponta?

Acho que é importante a gente pensar na história dessa família brasileira. Acho muito inusitado esse texto da Cleissa Regina Martins porque é noite de Natal, e o núcleo familiar está falando de si, sobre si… Parece que o Natal ganha uma outra importância, para além dos festejos e dos presentes. Fica uma tentativa de aproveitar esse momento de transformação de resoluções de fim de ano. Achei isso um grande apontamento sobre Natal: a partir da morte de uma mãe, a família encara os dilemas internos para virar o ano.

Qual o maior dilema do André na sua volta?

Eu estou muito intrigado com essa autora. Ela está apontando coisas muito modernas como tema e pondo em discussão. André é um cara que saiu de casa para estudar e trabalhar com cinema, por isso ele não está muito presente na família. Ele assume que não voltou para casa na última semana, do dia do enterro até a missa, porque ele não conseguiu lidar com a perda da mãe. Então a questão dele não foi a falta de tempo, e ele confessa isso para a irmã, expõe uma fragilidade dele… É um caso complicado, de morte, e esse cara ali ainda duro, tentando se resolver sozinho e não com a família.

E você se reconhece de alguma forma no personagem?

Eu me reconheço nesse lugar do machismo que pode nos deixar meio reféns. Muitos homens simplesmente não conseguem falar de sensibilidade, que é possível pedir ajuda, expor fragilidades…  Eu estou estudando muito sobre masculinidade, querendo rever esse meu lugar de privilégio. Não sou esse cara que não está repensando o mundo. Estamos aqui para rever os nosso próximos passos. 

Fale de seu reencontro com o Milton Gonçalves.

É a minha segunda vez trabalhando com ele, sendo filho dele. Fizemos juntos A Favorita (2008). Eu considero uma sorte tê-lo como pai na ficção, ainda mais nesse especial tão cheio de representatividade, em que a imagem dele como Papai Noel tanto nos emociona. 

Juntos a Magia Acontece, que vai ao ar no dia 25 de dezembro, é escrito e criado por Cleissa Regina Martins, com supervisão de George Moura e direção artística de Maria de Médicis e consultoria de Kenia Maria. No elenco, estão Milton Gonçalves, Zezé Motta, Camila Pitanga, Fabrício Boliveira, Luciano Quirino, Tony Tornado, as crianças Gabriely Mota e Ícaro Zulu, com participações de Aracy Balabanian, Francisco Cuoco, Alice Wegmann e Zezé Polessa.