Claudia Ohana
Claudia Ohana (Divulgação/ TV Globo)

Claudia Ohana está de volta a para as novelas em Verão 90. A atriz viverá Janice, a irmã de Janaína (Dira Paes) e tia dos irmãos Jerônimo (Jesuíta Barbosa) e João (Rafael Vitti). Claudia que se diz bastante empolgada com a novela, já que a faz lembrar de momentos incríveis do seu passado. Ela conversou com o Observatório da Televisão e relevou segredos e novidades da trama. Confira:

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Conte um pouco sobre a novela? 

“Eu acho que vai ser uma novela muito alegre, começamos nos anos 80 e depois a trama avança para os anos 90, dos quais eu tenho muitas lembranças. A novela tem uma coisa de praia, de surf. A minha personagem é ‘riponga’, começa vendendo sanduba na praia de saquarema e depois passa a vender roupas. Eu acho que é um dos personagens mais populares que eu já fiz, não no sentido de pobre, mas no sentido de ser uma pessoa popular, risonha, externa. Ela é casada com o personagem do Val Perré que é negro, tem filho negro e vai sofrer também com o racismo. Hoje em dia as pessoas estão gritando quando acontece racismo, mas naquela época nem podia gritar, sofria-se calado. E eu sou tipo o Robin da Dira [Paes], ela é o Batman, eu estou sempre atrás dela”.  

Essa coisa do racismo vai mostrar o lado parado, porque nessa época ninguém se defendia, não é? 

“Na verdade, não tinha uma união. Meu filho na trama vai tomar uma posição, porque toda hora ele é parado, tido como trombadinha no ônibus e a gente vai apoiar ele. Ele vai entrar na faculdade de direito e vai lutar contra o racismo”.  

Casamento da personagem

Esse casamento da personagem é um casamento bacana para sempre? 

“Olha, estou achando que esse casal é o único realmente unido. É um casal feliz, que tem uma vida feliz e se ama”. 

Como está sendo para vocês que viveram essa época, falar com esses meninos que estão chegando agora? 

“Anos 80 foi foi quando comecei a minha carreira. Então eu praticamente sou referência da novela, eles fazem homenagem a mim, à novela Vamp nos anos 90, que bombava muito. Eles falam de Claudia Ohana na novela e eu acho bem engraçado. Eu e a Claudia Raia falamos que nós somos as musas da novela, somos nós duas que estávamos lá, desculpa aí gente (risos). É muito legal porque a gente dá uma volta no passado, a gente vê várias coisas, tipo secretária eletrônica”.

Passado

A novela Vamp foi muito marcante para a sua vida? 

“Para a minha vida e para a vida de muita gente. Era uma época que só tinha canal aberto, então tinha uma audiência absurda. Eu acho que Vamp foi uma novela muito marcante, tinha um humor que as pessoas adoravam e as crianças também. Então o meu público de 30, 35 anos é apaixonado por mim, desculpa (risos) e eu por eles”. 

Como vai ser a sua relação com os seus sobrinhos na novela? 

“Eu sei que o Jerônimo não é boa coisa, mas é muito leve. Minha personagem é como Robin mesmo e está sempre ajudando a Janaína, sempre falando para irem atrás do Jerônimo. É uma relação muito saudável porque eles moram juntos em Saquarema, aí ela vem para o Rio. É uma família unida, família que dá força, que se ajuda, que come junto”.

Vaidade

A gente é acostumado com suas personagens com sex appeal, agora é essa mulher da praia sem vaidade. Como é para você? 

“Ela não é desprovida de sex appeal não. Minha personagem em Cordel Encantado era desprovida completamente de vaidade e sex appeal. Depois eu fiz Joia Rara que era bem senhora, dona de casa, mãe. Mas o meu personagem aqui não, e o marido dela é um gato”. 

Você vê alguma coisa na personagem da Claudia dos anos 80/90? 

“Muito, é muito fácil para mim ir para o hippie, embora hoje em dia eu não seja, mas nos anos 80 nossa…”

Novos tempos

O que você sente mais saudade dessa época? 

“Liberdade de expressão, liberdade das pessoas poderem falar o que quiserem, de serem quem quiserem. Na verdade, eu não via muito, porque eu andava em um nicho também. Eu nasci num lugar que era de cinema, minha mãe fazia cinema, andava com pessoas mais velhas. Não existia esse preconceito se a pessoa era pobre e hoje é muito preconceito. Antigamente a cabeça da pessoa era mais importante do que qualquer coisa. Não importava se era pobre, negro, gay. Aliás, a gente nem falava que fulano era gay, era problema dele, depois da AIDS diziam isso, porque tinham medo e achavam que a doença era só de gay”.  

Você acha que as coisas encaretaram um pouco, por causa do politicamente correto? 

“É complicado, porque eu acho que tem uma luta aí, porque veio essa coisa de separar quem é gay, quem é negro e aí começou a não-aceitação. Eu acho que no momento está mais careta, porque está radical. Mas o radical talvez seja para melhorar, para ter o equilíbrio. Porque hoje em dia um homem fica com medo de chegar em uma mulher porque está sendo assédio, mas existe realmente o assédio, a violência e que não pode existir, então temos que ser radical para saber o limite, onde começa. Mas é uma pena porque antigamente você andava na rua e tinha um monte de pessoas assoviado ‘gostosa’ e não pode mais, você fica triste.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano