Patrícia Pillar
Patrícia Pillar (Divulgação/ TV Globo)

Patrícia Pilar foi uma das vencedoras do Troféu Domingão Melhores do Ano. Na categoria Atriz de Série, ela concorreu com Tais Araújo e Alice Wegmann e fez questão de ir receber o prêmio acompanhada das colegas.

Em conversa com o Observatório da Televisão, ela fala com carinho de Onde Nascem os Fortes, supersérie que protagonizou ao lado de Alexandre Nero e Fábio Assunção, e ainda revela as boas lembranças deixadas pelas gravações no Nordeste. Confira o bate papo completo com a atriz: 

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A gente quer saber como é ter ganhado esse prêmio do Melhores do Ano.

“É lindo. Primeiro dá vontade de dividir com minhas amigas, a Tais e a Alice, que fizeram trabalhos lindos também. Estou feliz pelo prêmio e feliz porque fizemos um trabalho do qual me orgulho muito. É uma equipe maravilhosa, uma história muito interessante com personagens bárbaros. É bonito depois de 34 anos de profissão ainda vibrar com as coisas e gostar de estar aqui, gostar do meu trabalho. É a certeza que eu escolhi a profissão que eu queria”.

O que você mais gostou dessa série?

“Eu gosto de gente, então minha lembrança é de gente. As pessoas que nos receberam lá em Cabaceiras, cidade onde gravamos, todas aquelas pessoas que fizeram pequenos papéis, os atores maravilhosos do Nordeste que chegaram junto e gravaram com a gente. O que guardo no meu coração são as pessoas, em cada trabalho que faço”.

2019

E o que você tem para 2019? Alguma novidade para a gente?

“Por enquanto não. Tenho alguns projetos, mas ainda não estou certa. Só quero um Brasil melhor para todo mundo. Justiça, igualdade social, esse Brasil merece ter um 2019 melhor”.

Como foi 2018 para você?

“Foi bom, fizemos esse trabalho maravilhoso. Minha família está bem, mas também foi um ano muito difícil. O Brasil está vivendo um momento delicado, não estou otimista, mas torço para que as coisas melhores. Mas estamos sim, vivendo um momento muito delicado”.

Como foi para você interpretar essa mulher que acabou representando tantas outras?

“Ela ter passado quase a série toda em busca de um filho que depois se viu morto é muito duro. Muito sofrido, mas ao mesmo tempo, quantas pessoas passaram pela mesma coisa. Poder fazer um trabalho que leve algum alento para as pessoas, uma personagem com a qual as pessoas possam se identificar é ótimo. A arte tem esse papel de trazer doçura e fantasia para a vida das pessoas, e estou aqui cumprindo meu ofício, nessa profissão que adoro”.

Melhores do Ano

Quando você recebeu o prêmio do Melhores do Ano, você chamou as outras duas concorrentes, Tais Araújo e Alice Wegmann para o palco. Isso é um grande exemplo de sororidade…

“Ninguém larga a mão de ninguém! Essas duas mulheres encantadores são grandes atrizes e cidadãs. São três gerações diferentes. A Alice é uma menina, a Tais uma jovem mulher, e ver as duas tão participativas, com uma voz tão forte, isso muito me orgulha. Dá vontade de estar perto delas”.

Você se orgulha desse movimento feminista que muitas gerações mais jovens estão fazendo, como a da Alice?

“Claro. É fundamental. A mulher ainda tem muito o que conquistar. Tem muita coisa fora do lugar e precisa da voz de cada um de nós para que as coisas tomem um rumo diferente. Para que a mulher seja respeitada, não importa com que roupa esteja, onde esteja. A mulher merece respeito, e pode ser quem ela quiser. É nisso que acredito e fico orgulhosa das meninas, de poder dividir isso com elas.

Onde Nascem os Fortes

Todos os atores da série com quem conversamos passaram por grande transformação pessoal por causa da série. Isso também aconteceu com você?

“Com certeza! Eu me sinto nordestina. Minha avó era de Quixadá (CE), então tenho um apreço enorme por aquelas pessoas. Eu nasci em Brasília, mas me sinto de lá, e poder contar a história daquelas pessoas, daquela região é uma das belezas da minha profissão. Fico muito feliz que eu pude fazer um trabalho assim”.

Você fez 34 anos de carreira, e já um patrimônio. As pessoas te amam muito. Como é o carinho das pessoas na rua?

“Recebo muito carinho, muito mesmo. Essa profissão tem essa beleza que é você chegar no coração das pessoas, e ter isso de volta é tudo de bom. Mesmo quando fiz a vilã, a doida da Flora (A Favorita), eu só recebi carinho e consideração pelo trabalho. Ter esse retorno é belíssimo. E gosto de gente, gosto desse contato com as pessoas”.

34 anos de carreira

Como você resumiria seus 34 anos de carreira até mesmo em relação a esse julgamento que tem acontecido em relação aos artistas?

“Esse engano será reparado. Isso é um engano tão grande. Nós artistas, o que faz a gente ser artista, se colocar no lugar do outro, é o amor pelo outro. Então isso é injusto, mas o tempo dirá que estamos do lado das pessoas mais simples, do lado de quem mais precisa. Às vezes tem muito erro, muito engano, muita Fake News e isso saiu um pouco do prumo. Eu não tenho dúvida que o amor que as pessoas têm pela gente vai ser maior. A palavra que resume minha carreira é esforço, e também perseverança, porque temos que perseverar. Sem o esforço nada é possível, não pensei que é fácil porque nada é fácil”.

Qual o balanço você faz da sua carreira?

“É difícil, mas sou muito feliz pela profissão que escolhi. Meu amor pelas pessoas, pelo ser humano foi o que me fez escolher essa profissão e cada vez mais eu percebo que é isso mesmo, que o amor pelas pessoas aumenta mais. Essa possibilidade que a gente tem de se colocar no lugar do outro a cada personagem, isso nos faz crescer imensamente como seres humanos e tenhamos mais empatia”.

Tem algum personagem que você não teve oportunidade ainda de fazer?

“Engraçado que eu não tenho isso. As coisas vão acontecendo e não penso nessa coisa. Os que eu quis fazer, eu fiz. Estou feliz com os personagens que me compõem como ser humano”.

E se você fosse convidada para o PopStar, Dança dos Famosos ou Show dos Famosos?

“Eu amo esses programas, mas amo assistir. Dançar eu não danço bem, então nem me arriscaria, mas se eu cantasse, sem dúvida eu participaria do PopStar porque amo esse programa. Eu acho sensacional, tenha certeza que se eu cantasse estaria lá”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano