Regina Casé
Regina Casé (Divulgação)

Em entrevista, Regina Casé fala da nova temporada do Esquenta, que voltou ao ar no último domingo (16) com menos audiência que o Tamanho Família.

Além disso, a apresentadora comenta seus trabalhos como atriz no cinema e em novelas.

Confira o papo:

Você surpreendeu com essa nova temporada do Esquenta, com uma nova roupagem. Vocês vão manter essa linha na programação de 2017?

“Eu não tenho a menor ideia. A gente tem uma encomenda de uma temporada (11 programas). Essa, de três meses. É isso que a gente vai entregar. A única coisa que posso lhe dizer ao fazer essa nova temporada do ‘Esquenta’, que ficamos surpresos com os elogios e tal. Ele foi muito bem avaliado dentro da emissora. Se ano que vem ele é ‘Esquenta’ ou não, eu não sei responder. Esse formato está sendo tão trampolim para outra coisa. Estamos com vontade de fazer mil coisas. Esse sucesso do público foi por causa desse descanso do programa. Esse questionamento de vai acabar, não vai acabar o programa, foi porque não tivemos pausa para avaliar o produto. Aconteceu que fizemos temporadas exitosas. Quando viramos um programa de linha de show, a gente nunca parou para transformar um programa de temporada em programa do ano inteiro. Foram 170 programas direto. Sem pausa. O programa foi sempre idealizado para se chamar ‘Regina de janeiro, fevereiro e março’. Era um programa só para acontecer no verão. Estamos felizes com esse formato ao meu ver, bem inovador.”

A Glória Maria confessou em entrevista recente que as filhas dela adoram ir a festas em sua casa. Já pensou em assistir ao programa em sua casa?

“O ‘Esquenta’ já é filho disso. A gente fazia festa e sambas lá em casa. Com uma mistura e pessoas bem diferentes. Isso aconteceu durante anos e anos. E ai, a gente levou essa festa e essa mistura para a televisão. Foi um caminho inverso. Essa história da Glória Maria é muito bonita. As filhas da Glória são negras, elas estudam em uma escola que quase todo mundo é branco. Elas vão a muitas festas de aniversário e tal. Segundo a Glória, elas não gostavam nunca de ir a festas. Ela não entendia. E não se tocou que elas se sentiam diferentes. Elas nunca queriam ir às festas. Elas foram em uma festa lá em casa. Não tinham duas pessoas da mesma cor. Um monte de gente branca, um monte de gente negra na piscina. Só as crianças do ‘Esquenta’ ocupavam a piscina inteira. Eram 21h, e a Glória tentou chamar a Laura para ir para casa. E, antes de sair de casa, a menina falou que não queria ir para a festa lá em casa. Depois, a menina falou que não queria ir embora. Ai, ela falou para Glória: ‘mãe, essa festa é diferente. Aqui veio todo mundo’. É isso.”

Você é considerada uma apresentadora do povão. É isso mesmo?

“Não sei nem se é modéstia. Não sei se é um defeito ou uma qualidade. Eu tenho muita facilidade de me colocar na pele do outro. Sabe? Eu não tenho nem uma divisão.”

Regina, como você lida com as criticas em relação ao programa?

“Ninguém gosta que ninguém fale mal de você. Mas, compreendi que estava acontecendo. O que eu comentei anteriormente. A gente idealizou um programa de temporada e virou um produto de linha. Esse tempo foi essencial para a evolução do programa.”

Você pensa em voltar aos palcos?

“Tenho muita vontade. Já não aguento mais falar isso. Todo ano eu digo que irei equilibrar melhor a minha agenda e fazer alguma coisa no teatro. Tenho saudade da Nardja Zulpério (sucesso teatral em 1991). Fiz uma leitura desse espetáculo dia desses e percebi que muita gente ficou emocionada com o texto. Que continua atualíssimo. Meu empresário falou que precisamos remontar a Nardja Zulpério. Agora tem um movimento para o retorno desse espetáculo. Eu morro de saudade de voltar.”

Você está tendo mais tempo de fazer cinema?

“Eu atualmente não tenho tempo para fazer nada. Quem sabe quando acabar essa temporada eu tenha mais tempo.”

Depois do ‘Que Horas Ela Volta?’, você recebeu muitos convites para atuar no cinema?

“Você sabe que não. Depois desse filme eu não recebi convite nenhum. Nenhum! Eu até entendo. Eu acho um filme tão autoral quando você está ali. O roteiro é genial. Mas tudo que eu falo em cena, sou eu que estou falando. Teve muita improvisação ali. Acaba que eu viro uma coautora da diretora e do roteirista. Acho que isso é difícil. A pessoa já tem o projeto todo pronto. E convidar uma atriz como eu, é bacana e tal. Que ela queira uma atriz que não dê muitos ‘pitacos’. A Anna Muylaert (diretora) já me chamou para fazer outro filme. É isso. Não existe ainda. Mas já tem ideias. Eu adoraria ter feitos mais filmes. Foi uma pena que não veio convites. Mas a minha compreensão é essa. Mas a pessoa me convidar para fazer uma peça ou um filme, é convidar para ser parceira. Para dividir com ela o roteiro e a direção. Mesmo no ‘Esquenta’, eu assino a criação. Meus trabalhos são autorais.”

Você não se vê fazendo novelas?

“Novela até chamam de vez em quando. Mas o problema era outro. O tempo, para ser mais precisa. Mesmo fazendo temporada, temos que alinhar a temporada com nove meses da novela. É bem difícil. Mas eu adoro ver novela. Fiz pouquíssimas, mas as que eu fiz, foram experiências maravilhosas.”

Qual o balanço que você faz de sua carreira?

“A balança está bem desequilibrada (risos). Eu tenho raiva. Eu gostaria de estar muito mais equilibrada. Durante quatro anos que eu fiz ‘Cidade dos Homens’, eu achei que eu nunca mais seria apresentadora, nem atriz. De tanto que eu gostei de ser diretora. Foi uma experiência tão boa, tão maravilhosa. Eu adorei trabalhar com aquela equipe. Quando eu olhei, já estava apresentando programa. Eu gostaria de equilibrar, de dirigir, escrever, apresentar, ser atriz. Isso que eu gostaria. Fazer um pouquinho de cada.”

Você tem medo do erro? Se o público não gostar desse novo formato do programa?

“Vou ficar arrasada. Como todo mundo, em qualquer coisa. Você faz uma festa e ninguém for. Qualquer coisa. Não acho que isso seja determinante. Eu não faço o trabalho pensando nisso. Isso eu tive total carta branca da emissora. Eu ouvi isso da TV Globo: ‘A gente se preocupa com audiência. Você, procura em ser criadora, criativa, inovadora, fazer alguma coisa original’. Enfim.”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO