Tino apresenta o RJ no Ar pela Record Rio

A carreira do apresentador Tino Junior começou no rádio, lá em Portugal quando ainda era um garoto. Nascido no Rio de Janeiro, o âncora do RJ no Ar, Record Rio, voltou ao Brasil em meados dos anos 90 e se firmou ainda mais na área. Tino coleciona passagens pelas rádios 105 FM, Globo e FM O Dia.

O seu jeito irreverente cativou os ouvintes. É de sua autoria os bordões que tanto falava nas rádios e agora fazem parte do jornal que apresenta nas manhãs da Record: Que isso, fera!, Ahhh, Nenenzinho e Já tomou um chocotino?, em referência ao seu nome.

Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, o apresentador, que também apresenta jornais da Record em SP, conta detalhes de sua rotina como um dos apresentadores mais populares da TV, além de curiosidades sobre o seu trabalho. O comunicador lê Freud, estuda o códio civil brasileiro e conversa diariamente com especialistas para entender um dos maiores problemas do Brasil, a violência urbana: “Converso com médicos legistas, juízes, leio Freud”, revela o carioca que gosta de malhar, remar e de namorar.

Apresentar um jornal local no Rio é completamente diferente de um jornal local de São Paulo. Como se preparou? 

Foi chegar lá e fazer o primeiro dia. Depois me apaixonei. Existe um mito de que paulistas não gostam de carioca, carioca não gostam dos paulistas…mas isso não existe. Não tem essa. Adoro São Paulo.

Os jornais locais da Record são longos e exigem também muito improviso…

Apresentar um jornal exige muita observação e bate-papo. Eu procuro apresentar o jornal conversando com as pessoas. É estar próximo da população, entender os problemas do dia a dia dessas pessoas.

O jornal começa às 7h30. Como é a sua rotina?

Acordo às 4h. Durmo às 22h. Assisto ao Cidade Alerta com o Wagner Montes.

Como o rádio surgiu na sua vida?

Eu comecei a trabalhar em rádio em Portugal. Depois quando me mudei para o Rio aos 15 anos comecei a trabalhar na área também.

Você é conhecido por ter um tom leve em suas abordagens. Consegue separar o rádio da TV? Tem diferença em sua apresentação?

Não mudou nada no meu dia a dia. É a minha forma leve de levar as notícias. Se tiver um espaço para levar alegria, um tom mais leve vou fazer.

Fica de olho no ibope?

Eu não tenho acesso aos números. Isso eu deixo para a direção. O programa é feito com muita tranquilidade. O programa é uma parceria.

Seus bordões pegaram. Como surgiram?

Isso foi no dia a dia. O bate-papo na rua, encontro com as pessoas na academia…

O púbico do rádio migrou para a TV depois que você foi para Record? 

Quase todo mundo sabe que eu sai da rádio e fui pra TV. Mas alguns me abordam e dizem: Minha mulher gosta muito de você, ela te ouve na rádio. Eu sai da rádio FM O Dia há oito anos. Tem toda uma memória afetiva.

Já passou por alguma situação tensa nas ruas por conta do jornal? 

Esses dias eu dei de cara com um situação complicada. Os caras me reconheceram e disseram: Que isso, fera?!. Se eu ficar com aquele discurso de que bandido bom é bandido morto não vai me levar a nada. Eu só vou despertar o ódio nessas pessoas. São seres humanos, há toda uma questão social que levaram essas pessoas para esse caminho.

Quais cuidados você toma em relação a essa abordagem? Um caso pode ter um reviravolta, um cara que hoje é suspeito, mas depois ele pode ser inocente…

Sim, total cuidado com as palavras. A polícia também erra. Eu não posso dizer que o cara é um monstro…Tenho muita cautela.

O Marcelo Rezende afirmou ter uma preocupação com as crianças que assistem ao Cidade Alerta. Como é isso pra você?

Eu recebo muitos vídeos das pessoas que estão assistindo ao programa, elas mandam para a produção. Existem famílias assistindo, a molecada assiste antes de ir pra escola. Às vezes você quer soltar o freio de mão, mas aí você pensa nessas pessoas.  Essa é a minha preocupação.

Como você se prepara para apresentar um jornal que também aborda o factual como a violência? 

Vai de Freud que fala sobre as questões humanas, passando por outros que abordam o comportamento de massa. Freud é tão contemporâneo que parece que ele está vivo. Isso facilita a comunicação, o comportamento social das pessoas. Eu procuro entender a cabeça das pessoas, a violência faz parte da vida das pessoas. Aqui no Rio de Janeiro a gente conhece armas, em São Paulo as pessoas não conhecem tanto. Para apresentar um programa desse tipo eu conversei com médicos legistas para entender quais são os efeitos de uma bala no corpo de uma pessoa e as suas consequências, passo pelo código civil brasileiro. Existe um código comentado, eu leio, se eu tenho alguma dúvida ligo para um amigo que é juiz e ele me dá todo o auxílio.

São estudos complexos para o público de um jornal popular, não? 

Tem a hora de falar mais leve, mas tem que contextualizar também de foma acessível. Eu não vou falar com um médico, um juiz, eu vou falar com todas as pessoas. Eu quero que a moça que trabalha lá em casa me entenda.

O Rio passa por um momento complicado que vai além da violência, passa agora por questões econômicas. E isso mexe diretamente com os telespectadores do noticiário…

Não falta dinheiro no Rio de Janeiro, falta seriedade. Eu leio o Diário Oficial todos os dias. O nosso trabalho na TV é levar a informação de forma acessível. Eu tenho consultores que me ajudam. Sozinho ninguém faz nada.

O telejornal buscar fazer uma prestação de serviços?

Acho ruim definir que o jornal tem “prestação de serviços”. O público não compreende muito o que é “prestação de serviços”.

E como faz pra sair desligar depois de um um informativo que aborda questões pesadas?

Namorar, malhar, esportes, remar, sou tranquilo.

A seguir fotos do apresentador no rádio, na TV e no momento de lazer: