Jaci (Paulo Gorgulho) e Lúcia (Débora Bloch) em Segunda Chamada
Jaci (Paulo Gorgulho) e Lúcia (Débora Bloch) em Segunda Chamada (Reprodução/TV Globo).

Desde antes da estreia, Segunda Chamada já parecia um produto televisivo acima da média. Pois a série da Globo estreou e confirmou a impressão inicial. E agora, passados sete episódios da produção estrelada por Débora Bloch, já é possível considerá-la uma das grandes novidades do ano. O drama sobre uma escola pública deteriorada e seus alunos alcançou um patamar de qualidade pouco visto nas séries nacionais.

Segunda Chamada foi rotulada como a “Sob Pressão da Educação”. E a proposta é realmente semelhante. Entretanto, Segunda Chamada amplia o leque do debate sobre questões fundamentais. Isso porque a escola, mais do que o hospital, é um cenário um tanto quanto rico. A Escola Maria Carolina de Jesus é um microcosmo social, que reúne num único ambiente pessoas absolutamente distintas. Em comum, estas pessoas têm a vontade de mudar de vida e vê na escola uma saída para isso.

Nos episódios mais recentes, a série tratou de temas contundentes. A morte de Maicon Douglas (Felipe Simas) disparou uma série de acontecimentos que afetaram o cotidiano do colégio. Mais do que isso, a perda do aluno despertou os traumas profundos da professora Lúcia (Débora Bloch), que ainda tem dificuldades em lidar com suas perdas.

Cansaço

Júlia Spadaccini e Carla Faour, as roteiristas de Segunda Chamada, foram muito felizes na idealização e concepção da série. As autoras criaram um universo que é real e reconhecível. E, com ele, conseguem criar situações que pegam o espectador. Além do cenário rico, Segunda Chamada conta com personagens bem delineados, que são capazes de despertar compaixão e indignação. Além disso, a série tem o trunfo de tratar de temas delicados sem juízo de valor. Ela joga os temas sobre a mesa e coloca o público para pensar.

Há um cansaço evidente nas feições e atitudes de Eliete (Thalita Carauta), Sônia (Hermila Guedes), Marco André (Silvio Guindane) e do diretor Jaci (Paulo Gorgulho). É um cansaço que evidencia a própria falência do sistema educacional brasileiro como um todo. No entanto, o fato de eles seguirem na luta injeta alguma esperança. No fundo, Segunda Chamada é sobre um Brasil que acredita, mas nem sempre alcança.

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